ASSUNO - Pressionado pela populao e pela oposio parlamentar, o presidente do Paraguai, Juan Carlos Wasmosy, tentava ontem encontrar uma maneira de impedir a posse do general golpista Lino Csar Oviedo no Ministrio da Defesa, enquanto vinham  tona os bastidores da crise que explodiu na segunda-feira, quando Oviedo se rebelou contra a deciso de Wasmosy de demiti-lo da chefia do Exrcito. Segundo foi revelado ontem em Assuno, h trs dias Oviedo ameaou explodir a residncia presidencial e assassinar a famlia de Wasmosy caso o presidente insistisse em sua demisso.

"Se ele no renunciar at s duas da manh, vou explodir o palcio", avisou o general,  meia-noite de segunda-feira. "Prefiro a renncia e at a morte a um derramamento de sangue", respondeu Wasmosy que, diante das presses do general, chegou a escrever que pediria licena da presidncia. Um blefe em resposta aos blefes do virulento e carismtico Oviedo que, por aqui, entre diplomatas estrangeiros, tem fama de narcotraficante, entre militares a marca de competente e na boca do povo provoca insinuaes maledicentes por sua excessiva paixo em desfilar de Csar no carnaval. "Sou um guerreiro guarani", definiu-se Oviedo ontem.

Wasmosy s no desistiu da presidncia, que exerce h trs anos, porque recebeu respaldo internacional, do papa Joo Paulo II ao presidente Bill Clinton, dos Estados Unidos. Ao lado de pelo menos outras 60 autoridades mundiais, eles formaram a rede internacional que sufocou o golpe. Wasmosy contou ainda com decisiva colaborao dos colegas do Mercosul. Os embaixadores do Brasil, Mrcio Dias, e da Argentina, Nestor Auad, participaram diretamente das negociaes entre Wasmosy e Oviedo.

Impasse - Ontem, o pas viveu um dia de impasse. O acordo feito tera-feira entre Wasmosy e Oviedo - pelo qual o general deixaria a chefia do Exrcito, mas seria nomeado ministro da Defesa - fazia gua, rejeitado pela populao que, segunda-feira  noite, tinha sado  rua para defender a democracia. Numa cerimnia da qual Wasmosy participou, Oviedo deixou a chefia do Exrcito e passou para a reserva, mas sua posse no Ministrio da Defesa foi adiada. Os comandantes da Marinha, almirante Lpez Moreira, e da Aeronatica, brigadeiro Csar Cramer, ainda tentavam convencer Oviedoa desistir do ministrio. E poucos paraguaios - muitos voltaram a xingar ontem o presidente de covarde e hijo de p... - conheciam os bastidores da ameaa de golpe militar e das negociaes entre Wasmosy e Oviedo, que duraram 17 horas.

Temendo os grampos, os interlocutores entre o presidente e o general golppista se recusavam a usar telefones e passaram a madrugada de segunda para tera-feira entre a casa de Wasmosy, uma improvisada fortaleza de negociaes, e o quartel de cavalaria, onde o general, que insistia em desacatar a ordem do presidente e no abria mo do comando do Exrcito, devolvia seus explosivos recados. "Que ele rasgue o decreto que me afasta do governo", insistia.

Temendo os atentados, Wasmosy mandou que at os soldados deixassem o palcio presidencial e foi dormir fora de casa com trs dos quatro filhos. A mulher, Estela, est nos Estados Unidos.
